"Quando sinto chegar uma nova fase de nobody loves me, nobody cares for me, começo logo a fazer listas mentais de coisas giras para entreter e espantar a neura. Depois fico muito stressada porque
a) não tenho vontade de fazer nada daquilo ou porque,
b) começando a fazer alguma das coisas i) nada sai como gostaria, ii) maço-me depressa e acho que se calhar é melhor fazer outra, mas não sei bem qual.
a) não tenho vontade de fazer nada daquilo ou porque,
b) começando a fazer alguma das coisas i) nada sai como gostaria, ii) maço-me depressa e acho que se calhar é melhor fazer outra, mas não sei bem qual.
Sucedendo a hipótese a), saio do nobody loves me, nobody cares for me para uma alegre espiral de sou um ser amorfo sem vontade nem força nem projectos, uma alforreca nojenta largada na praia mar que até a si própria dá comichão.
Acontecendo a hipótese b)i), entro de imediato numa de sou uma falhada que nem ideias de jeito tem e muito menos competência para as realizar, não passo de uma varejeira a achar-se a maior sobrevoando apenas uma fumegante caca.
Se calhar a b)ii), fico numa de não passo de um ectoplasma inútil, um ser inventado e ignóbil, dotado da inércia dos fracos e incapacidade dos falhados, que apenas deixa como memória um muco viscoso.
Fica explicado, portanto, porque muitas vezes permaneço na fase do nobody loves me, nobody cares for me. Ao menos tem aquela aura mística da melancolia gótica. E se alguém pergunta porque não reajo, porque não saio dessa, porque não vou em frente, aaahhhhhh, força!, nem me dou ao trabalho de explicar."
Sem comentários:
Enviar um comentário