"(...)Em ambos os casos, os intervenientes fizeram algo menos correcto em termos de tratamento aqui da minha pessoa. Eu, filha de boa gente, senti-me e mostrei o que senti. Mas devo de o ter feito de forma demasiado boa porque, sem argumentos que pudessem reverter tanto o que foi feito, como o que mostrei ter sentido, as saídas optadas para ambas as situações foram as mesmas: eu que me fosse embora, que desaparecesse da vista, que me pirasse dali. Compreendo perfeitamente.
Eu, das vezes em que fiz merda a alguém, também não queria ter essa pessoa por perto. Lembrar-me do que tinha feito, vendo ali o resultado estampado num olhar magoado ou em palavras ressentidas? Caredo! Qual quê! E o peso na consciência que isso faz sentir? E o mal que nos faz sentir o estômago dar voltas de frustração por não conseguirmos que a pessoa nos perdoe ao mínimo eco da palavra “desculpa”? E a vontade que é pegar na pessoa pelos colarinhos para que acredite no nosso pedido de desculpas? E a dor que é ver que essa pessoa não começa logo a sorrir de seguida, esquecendo rapidamente o que terá acontecido e permitindo que a vidinha continuasse sem mais nem menos? E quando não se entende que a pessoa precisa de tempo para assimilar e recuperar fôlego (mesmo tendo aceite as desculpas que às vezes são mesmo só isso… desculpas) e partimos logo para a violência e ficamos zangados com essa pessoa, e viramos as coisas ao contrário e ainda temos o desplante de proclamar que até tínhamos pedido desculpa e tentado meter tudo ok mas que se a outra pessoa não aceita e não volta à vida normal no imediato, então que se foda, que vá á fava, que se monte no caralho e dê aos pedais?! Been there, done that, got the t-shirt. Sei como funciona.
Eu compreendo. Eu percebo. Eu sei o que fiz para ter recebido em troca o que recebi.
Mostrei-me magoada e zangada com o que duas pessoas me tinham feito, sem ter tido em consideração que há gente tão frágil, insegura e cobarde que não se pode dizer nada de nada – mesmo sendo nós os ofendidos – não vá a coisa piorar toda a situação só porque tivemos a audácia de nos magoarmos e nos zangarmos e, ainda por cima, mostrá-lo!(...)"
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