A blogosfera é boa, óptima, adoro. A blogosfera deixa-me apreensiva, triste, e às vezes depressiva. Tudo daquilo que fujo, o que evito, que tento ignorar e fazer de conta que não me atinge, está lá. Para o bem e para o mal.
Eu já arrumei conversas, fotografias, objectos e memórias, mas a blogosfera está constantemente a remeter-me para as experiências passadas. Today's case: alguém postou conversas de chat. Haveria tanto para dizer sobre isso, maldita internet. Esses excertos de diálogos relembram os inícios.
Os palpites, atirar barro à parede, as provocações, o flirt, as propostas da carne, as dúvidas, a esperança, o medo, as mentiras, os mal entendidos, as incógnitas. A fase do não sei bem o que quero, não sei se te quero, não sei se te conheço, não sei se te quero conhecer melhor, exigências e pedidos de definição de sentimentos e intenções.
O incerto das pessoas, da entrega, do visceral de voltar a amar no matter what, sofre um golpe. Quero amar e ser amada, mas não quero o sofrimento. Ops, não temos essa opção no menu, nem há restaurante no mundo que sirva amor sem sofrimento.
Gosto do jogo, mas em doses certas e não por muito tempo. O incerto, o não saber ao certo o que se passa na cabeça da outra pessoa é que dá adrenalina, põe a mente a mil, mas o stress que provoca é tolerado apenas por um determinado período de tempo. Hoje gosto de ti e digo-to, amanhã e depois dou-te o meu silêncio. Hoje desejo-te ardentemente, amanhã a amiga da prima é tão comestível. Hoje adoro o teu carinho e o apoio que me dás, amanhã não gosto da tua maneira de ser. Hoje acho que vale a pena dedicar-me apenas a ti, amanhã acho que não és a pessoa que procuro e se calhar é melhor ficar por aqui. Hoje amo-te eternamente, amanhã decido que não é bem assim. Fuck!
Eu gostava que os homens em geral, mas os que eu estivesse interessada em particular fossem como eu, que me meto numa alhada de cada vez. Mas não, nem interessados, nem gerais e nem as mulheres, eu sou um alien. Por estes medos todos, abri a mente aos seres mais velhos, agarrando-me à ideia que têm mais juízo, mais inteligência, que são mais sinceros, que sabem melhor o que querem, e jogam mais limpo. Claro que todas estas supostas vantagens, são no fundo uma desvantagem para mim, porque eu de vida organizada, estabilizada e experiência de vida como eles, na pas.
Conclusão 2011: para que serve esta ingenuidade se não usufruo dela? Como se conhecem pessoas? Como se cativam? Como se atrai gente boa? Como nos fazemos atractivos? Como nos fazemos atractivos às gentes de bem?
Como se colmata o facto de cronologicamente se ter idade para ser um adulto bem encaminhado na vida, e não se passa de uma jovem que acabou de sair da universidade? Assim só posso aspirar socializar com menores de 23, na melhor das hipóteses? Life is cruel!

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