Já não sou anónima, sou uma ex-namorada do teu amigo, aquela da qual não deves ter muito em conta. A vergonha perdura, e a vergonha dos outros saberem é insuportável. Disseste que não dizias a ninguém, que respeitavas, e que não havia nada de mal no que fiz. Porém, sei que a realidade não vai ser assim. O circo vai-se montar. É mau ser descoberta, principalmente porque passei a ideia que realmente gosto de ti e que acreditei que poderia conquistar-te, quando o fiz basicamente pelo jogo de sedução. Gostar não gosto, apenas despertaste interesse. Mas o que me enforcou foi este meu ego. Ai que escrevo coisas tão giras, ai que adoro espalhar magia, ai que adoro cortejar pela escrita. Pumba!
Ainda não me cruzei com o senhor peace and friends, nem sei como reagir a isso. Durante a tarde se tivesse que enfrenta-lo tinha-me afogado em lágrimas, estava mesmo no limite, estava out of control. Agora estou em estado de falsa calmaria. Sei que vou ter que enfrentar as pessoas, entretanto fujo. Como uma boa cobarde que sou, como a falta de maturidade se justifica.
Dizem que isto é que é viver, que só nos descobrimos, evoluímos, aprendemos, passando por maus bocados.
Ainda me lembro de pensar, e sei (porque sentir já não) que o último desgosto amoroso foi o momento mais doloroso até hoje, e foi. E hoje pus-me a pensar: raios, isto ao pé do desgosto não é nada, por isso coragem. Sim sim, o desgosto é canja, a vergonha e a humilhação desta situação são bem piores, o drama, o horror. O tempo cura tudo, o tempo distorce tudo, desgraçado.
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