Gajo aparece na minha vida como um louco, um camião intenso e extrovertido. Mal nos conhecemos e já tem vontade de estar comigo, tem saudades minhas, sou tão querida, adora falar comigo, espera que um dia visite a aldeia dele, deseja que eu estivesse com ele em determinados momentos, que não aguenta mais não me ver, que tem um crush on me, meu amor, meu coração.
Eu completamente pasma de tanta coisa pois normalmente só se dizem e sentem estas coisas com o tempo. Este gajo é louco, só um doente é que diz isto, não me quero envolver muito pois isto não tem lógica, é até assustador, estilo, ou o gajo é um deixa-me pescar tudo o que me aparece ou é um exagerado de primeira.
Mais uma vez pergunto-me o que realmente me interessa nesta pessoa, e muito do que me faz gostar dela é a atenção que me dá. Uma pessoa acumula muitas carências com a solidão prolongada.
É feio que doí, e isto vindo de mim, que não sou uma pessoa superficial, é forte. E mesmo assim, o que os meus olhos vêm não impediu que fisicamente esteja completamente á vontade e confortável na sua presença e toque. O gajo derrubou a minha grande barreira de púdica tão facilmente, que estou sem palavras.
Mas, há uma semana e algo, a comunicação da parte dele é muito menos frequente e menos romântica. E eu, que necessito de demonstrações de afecto com frequência numa fase inicial de algo, estou que nem posso, inundada de dúvidas, perguntas, medos, desilusões, frustrações.
Será que realmente é apenas o momento stressante que está a viver no seu trabalho? É o interesse a desaparecer? São outras pessoas na vida dele?
Tenho uma angústia tão grande, de enfrentar a verdade, de lhe perguntar, de lhe explicar o que sinto. Não quero parecer carente (apesar de o ser), nem louca, já que não há um compromisso entre nós, nem nunca falamos do que se passa na nossa vida sentimental. Ninguém deve nada a ninguém, mas eu começo a afeiçoar-me.
Aparentemente o segredo para não ficar embeiçada ao primeiro que me calha é manter a minha vida interessante. Interessante de paixão pelas coisas, por actividades, por pessoas. E manter o nosso jogo de flirt dividido por mais que um jogador para evitar a situação em que me encontro.
Mas eu tenho muita dificuldade em partilhar o meu interesse romântico entre vários jogadores ao mesmo tempo, acho mesmo que nunca aconteceu. Eu sou de apostar e acreditar, uma jogada de cada vez. Mesmo quando é evidente que as probabilidades estão fortemente contra mim.
Ontem chorei baba e ranho porque tinha esperado tanto por o nosso combinanço de sábado e no fim ele não pode vir. Se tudo o que me contou é verdade, posso compreender, mas mesmo que fosse a mais pura das verdades, o meu desgosto foi grande. Para ajudar, só no dia seguinte é que recebi feedback das mensagens que lhe deixei á noite, o que me fez sentir ainda pior. Devastada, ignorada.
Já não me lembrava de chorar assim.
Cada vez mais me questiono o quanto de verdade existe nas palavras e momentos doces que passamos, o quanto eu sou ingénua, o quanto eu sou fraca, o quanto eu sou insegura, o quanto sou medrosa.
Não fui talhada para a luta que é o dating.
Eu sei que girl meets boy and they fall in love harmoniosamente e na mesma medida não existe. Mas dava um jeito do caraças.
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