Não tarda muito e vou-me outra vez, desta vez para algo com um contrato.
Eu e o desconhecido não nos damos bem. O desconhecido não me inspira oportunidades, inspira-me terror. Uma ansiedade, nervosismo, stress, medo têm-se apoderado de mim, e não irei embora sem chorar como uma criança, mas por enquanto apenas uma visita do período antes do tempo, uma versão adulta de um voltar a fazer xixi na cama infantil.
Neste momento ainda não me atormenta o facto de se vou conseguir falar as línguas que me pedem, se vou alcançar os objectivos comerciais, se vou ser uma boa profissional. De momento sou estou focada na pesadelo, sim já decidi que vai ser um pesadelo, que vai ser dividir quarto com desconhecidos e casa com outros tantos. Já desesperei pela falta de espaço e intimidade, pelas noites mal dormidas por estar rodeada de pessoas que ressonam, que fazem a festa todos os dias até ás 3 da manhã e pelas outras que fazem batidos na liquidificadora ás 6 da manha para o pequeno almoço. Também já me enfureci pela comida que me vão roubar, pela louça que ninguém lava e pela casa de banho constantemente ocupada. Já me aborreci pelo tempo que vou demorar em transportes, pela distância ao super mercado mais próximo e pela ausência de internet 24 horas disponível. Já chorei pela solidão que vou sentir, pela falta de apoio e pela perda lenta mas constante dos amigos que não se lembram de mim.
Bem, o argumento está bem encaminhado, o cenário está montado e os papeis já foram distribuídos, só falta saber como será o final, espero que seja final feliz.
Não quero ir, já o disse algumas vezes, mas vou, claro.
Eu queria ser feliz, mas o meu país não me deixou (esta é a única frase deste post que não é escrita com real sofrimento).
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