Qualquer coisa sem interesse e com data de validade

25/08/11

Faz o que eu digo, não faças o que eu faço

Quantas vezes quero mandar-te uma mensagem sabendo que não devo fazê-lo? O impulso dos tempos modernos. Demasiadas vezes entra uma vontade enorme de estabelecer contacto, saber de ti, dizer-te algo. Porém, neste caso, esse acto não faz muito sentido (the past), é algo que não devo mesmo fazer. Sempre que sinto vontade de te bombardear com uma mensagem, há duas correntes de pensamento que se confrontam: eu mando, arre porra, se quero fazê-lo faço, a vida é curta, é minha, devo vivê-la o mais verdadeira e intensamente possível, porque hei-de estar com auto castração por uma simples mensagem, todos fazem o mesmo, quero lá saber o que tu pensas ou as outras pessoas, eu faço o que quero; a contra corrente diz claramente que me deixe de merdas de mensagem que não diz nada e nada vai receber, que já sou crescidinha para controlar impulsos infantis de enviar mensagenszinhas, que essa pessoa tá-se a cagar para as tuas mensagens chatas. A maior parte das vezes ganha o lado censor. Mas não pelos motivos errados. Quando a dúvida se instá-la pergunto-me logo:
- o que quero para mim com esta mensagem?
- o que quero do outro?
- que feedback quero?
- acho que vou ter esse feedback?
- estou pronta para as consequências do feedback real?
O motivo básico, grande parte das vezes, para querer text you, é querer aliviar um estado de espírito, normalmente de neura, ansiedade, tristeza, medo, insegurança, frustração, em suma e concluindo, quero aliviar-me partilhando algo mas tendo sempre o desejo que me apazigues dando-me atenção, e determinada atenção. Do outro quero que fique a saber que é importante para mim, que o prefiro e lhe dou especial atenção, e que, não nos enganemos, que sinta o mesmo que eu. Por isso, o feedback ideal, é a retribuição de atenção, carinho, preocupação e fazer algo especial, que me faça sentir especial. O ideal seria algo assim: "estava mesmo a pensar em ti, tenho saudades tuas, temos que nos encontrar, beijos super especiais". Infelizmente, o feedback que vou receber será algo muito normal e educado, sem sinais de te interessares por mim do modo com gostaria. Como consequência deste feedback meramente social, o meu estado de espírito só se vai agravar, aumentando a minha frustração, tristeza, desilusão, atirando-me para um rol de pensamentos dramáticos e derrotistas, ao mesmo tempo que a imagem imaginária que tenho de ti se destrói com sentimentos de rejeição, raiva e rancor. O não enviar mensagem tem então esta dualidade vantagem/desvantagem, vou-me poupar a algo menos bom, mas pelo outro, a fantasia não me é negada.

Escrever testamentos cansa, e ainda por cima quando já enviei a mensagem (correu bem porque o motivo foi positivo, e apenas queria que soubesses o impacto bom que me causaste, mas claro, o que queria era atenção).

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