O começo. A descoberta. As dúvidas. As expectativas. A química. O jogo que corre bem. O entendimento. A proximidade. As saudades. A paixão. Provavelmente sou uma pessoa amargurada e a caminho do trauma, mas quando me contam ou leio as felicidades de uma relação recente não consigo evitar o pensamento fugaz, "não começam sempre bem? E depois é a merda que se conhece". Não é saudável pensar assim. Juro que sou uma ingénua e quero tanto amar e ser amada como todos, prova disso é que fico triste, desiludida e assustada com o fim da relação dos outros, mesmo que nem os conheça. Todos somos pessoas super especiais, carinhosas, disponíveis, amigas, de confiança. Todos somos a perfeição naquele momento. Depois a vida trata que voltemos à realidade. E a realidade é, somos humanos e estamos sempre a falhar.
É por isso que ser desta raça é uma bela porcaria, porque sabemos que erramos, vamos errar, vamos sofrer, vamos fazer sofrer. Compreendemos isso, prevemos isso, mas a dor é sempre muita. Eu acho que a racionalidade que nos caracteriza é um fardo que nos vai levar à extinção. Como querem que sejamos uns seres simples e felizes se sabemos que vamos morrer? Ter noção do fim da nossa existência é cruel. Que raio de deuses foram esses para nos criarem assim? Uns grandes filhos da puta, os maganos.
OK, criaram a resiliência, agarremo-nos a ela então.
Bah! Vou mas é descascar batatas para o jantar.
2 comentários:
E então só temos duas hipoteses: ou nos sentamos quietinhos à espera do fim da nossa existência, ou vamos mandando umas cabeçadas na parede até o dia chegar. Por um lado as cabeçadas doem e fazem galo, mas também qual é o problema se sabemos que um dia vão deixar de doer?
Pois é Ana, eu acho que não há mesmo hipótese de escapar às cabeçadas :)
Mas parece que estamos equipados para resistir a elas, por isso, ala de marrar de vez em quando e ser felizes lol
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